sábado, 19 de março de 2016

Ausentes no corpo e presentes com o Senhor (parte 1)

Assim dizem as Escrituras Sagradas, em II Coríntios 5:1-10:
"Sabemos que, se a nossa casa deste tabernáculo terrestre se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feito por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo, gememos, a aspirar por sermos revestidos de nossa habitação celestial; se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus. Pois, na verdade, os que estamos, neste tabernáculo, gememos angustiados, não por queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, a outorgar-nos o penhor do Espírito.
Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé e não pelo que vemos. Entretanto, estamos em plena confiança, a preferir deixar o corpo e habitar com o Senhor. É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausente, para lhe sermos agradável. Porque importa que todos nós compareçamos ao tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo."
O apóstolo Paulo foi um grande missionário. Ele pregou em várias regiões do planeta e fundou inúmeras igrejas. Dentre elas, estava a igreja de Corinto. Paulo escreveu sua primeira carta em virtude do modo indevido com que os fiéis utilizavam os dons espirituais concedidos pelo Espírito Santo. Na segunda carta, porém, o apóstolo lamenta a forma ríspida pela qual tratara os coríntios e injeta-lhes ânimo com a vinda do Senhor para nos buscar. Nosso texto aborda exatamente este tema.
            Este mundo sofre a cada dia com mais e mais problemas. Temos a crise financeira, a corrupção, as secas, os assaltos, os assassinatos. A lista de situações que nos amedrontam é longa. Todavia, nossa esperança reside em uma única promessa feita por Deus antes da fundação do mundo: Jesus Cristo foi, mas voltará em breve (Apocalipse 22:12); ele não nos deixou órfãos (João 14:18). Ele nos levará consigo para uma terra de paz, sem morte, dor ou lágrimas (Apocalipse 21:4).
            Entretanto, não é de qualquer maneira que teremos essa graça de viver eternamente com Deus. Há toda uma preparação, além de, no momento, estarmos presos a um corpo pecaminoso que não pode herdar o Reino de Deus (I Coríntios 15:50). Enfrentaremos um processo que para alguns será demorado e teremos uma audiência em direto com Cristo antes de adentrarmos a Nova Jerusalém. Por enquanto buscamos a santificação (processo de purificação que durará toda a sua vida).

            Temos também uma garantia de que somos de Cristo e receberemos o seu galardão: o Espírito Santo da verdade. Sem a presença dele, a Igreja eleita não poderá fazer nada. Estamos comprados e selados. Somente o destinatário (Jesus Cristo) abrirá o pacote (nosso corpo mortal), a revelar a glória de Deus em nós (corpo transformado).

domingo, 13 de março de 2016

A unção no Novo Testamento

         
           Basta entrar numa igreja pentecostal ou neopentecostal e você verá uma ênfase exacerbada em “unção” disto ou daquilo. Isso ocorre, provavelmente, em virtude de a maioria não saber o que significa unção. Esses segmentos evangélicos consideram a unção uma espécie de superpoder que confere ao indivíduo capacidades esdrúxulas – uns começam a rir feitos loucos e outros imitam animais. Contudo, à luz das Escrituras Sagradas, unção não é, e nunca foi, uma capacitação sobrenatural. Vejamos o que o Velho Testamento nos ensina sobre o tema.
            O povo de Israel percebeu que os países vizinhos tinham reis que o governavam e desejaram ter um. Pediram a ajuda do profeta Samuel e este comunicou a reivindicação do povo a Deus. O SENHOR explicou todos os reveses de Israel ter um rei humano, mas atendeu a petição dos judeus (I Samuel 8). O primeiro rei ungido foi Saul (I Samuel 10:1). Samuel derramou-lhe azeite e o consagrou rei do país. O mesmo sucedeu a Davi, sucessor de Saul (I Samuel 16:1). Em ambos os casos, que podemos usar de exemplos, a unção não conferiu poderes aos escolhidos. Aliás, “ungido” significa “escolhido”, nada mais. Não é um poder soprado pelo Espírito Santo quando um pastor ou pregador faz uma oração barulhenta ou em “línguas desconhecidas” (glossolalia religiosa). Tratava-se de um ritual simbólico, que representava a escolha de Deus (Êxodo 30:22-33). Mesmo assim, receber a unção do profeta não impediu que os dois reis citados cometessem pecados fatais – Saul consultou uma feiticeira na cidade de En-Dor (I Samuel 28:3-7) e Davi adulterou com a mulher de Urias, depois de matá-lo (II Samuel 11:2-26).
            E todos os outros ungidos seguem a mesma lógica. Apenas raras pessoas recebiam a unção de Deus. Naquela época, o povo vivia um governo teocrático. E o Novo Testamento? O que este nos fala?
            Como dito acima, a unção na Antiga Aliança era restrita a um pequeno número de pessoas (os reis de Israel). Todavia, o projeto de Deus, em toda a história, foi eleger para si um povo santo, sacerdócio real (I Pedro 2:9). Criar uma estirpe de pessoas escolhidas para si ou, nos termos bíblicos, uma casta de ungidos. Entretanto, para realizar seu projeto, Deus enviou um sumo-sacerdote, perfeito e eterno, a saber, Jesus Cristo (Hebreus 7). Ele veio ao mundo, anunciou as palavras de seu Pai e, pela sua obediência, tornou-se sacerdote de muitos. Nele, todos nós fomos batizados e estamos revestidos (Gálatas 3:26-27), ou seja, a partir do momento em que ouvimos e cremos na Palavra de Deus, nos tornamos um com o Ungido do SENHOR (a palavra “Cristo” significa “o ungido” ou “o escolhido”). Esta unção que Deus nos dá em seu Filho é a verdade e não há necessidade que alguém nos ensine; o Espírito Santo o faz (I João 2:27).
            É isto, pois. “Unção” é “escolha” – a escolha de Deus. Na Nova Aliança em que nós vivemos todos os que estão em Cristo Jesus são ungidos. Não temos superpoderes ou outra qualidade especial. Somos apenas os escolhidos entre muitos chamados (Mateus 22:14) – e nada mais precisamos.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

A Igreja Perfeita



Cláudio - nome fictício da nossa personagem - estava à procura da igreja perfeita. Até o momento, fracassara em sua busca.

A princípio, ele foi à Assembleia de Deus verificá-la, porém não suportou o barulho que faziam. Depois ingressou na Batista, Presbiteriana e Metodista. Passou pela Universal, Mundial e Plenitude. Visitou Luteranas e Anglicanas. E nada.

Um dia, já decepcionado da sua missão, Cláudio saiu de casa e deparou-se com o que sonhava: a igreja perfeita. Lá estava ela, nos moldes que ele queria. Mas, quando chegou à porta do templo, foi barrado por um obreiro.

- Espera! Aonde pensas que vais?

- Entrar na Igreja Perfeita. Não posso?

- Tu és perfeito?

- Não - devolveu Cláudio.

- Senão és perfeito, não tens como entrar numa Igreja Perfeita - declarou o obreiro. - Sai daqui!

Cláudio foi embora, a sentir-se derrotado.

Como Cláudio, nossa personagem fictícia, muitos crentes buscam a "Igreja Perfeita" e não a encontram. Isto porque ela simplesmente não existe! A igreja/templo é composta por homens falhos e que muita vez comentem sérios enganos. Mesmo assim, não é motivo de desistir ou de nunca entrar. Por mais imperfeita que seja, a igreja é o mais próximo do Céu cá na Terra.

Perfeição teremos quando Jesus voltar e levar-nos a um culto eterno e sincero a Deus. Enquanto vivermos neste mundo, seremos tentados pelas paixões da carne. Nossa forma de sobrepujarmos as concupiscências da carne é "crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Pedro 3:18). Somente assim, iremos nos aperfeiçoar dia após dia até nos tornar igrejas/pessoas perfeitas. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A verdadeira vida cristã - fé e obras


1. A verdadeira Santa Ceia é alimentar os pobres, reunir o corpo de membros da Igreja de Cristo e oferecer um banquete aos necessitados. "Porque tive fome e destes-me de comer […]" (Mateus 25:35).

2. O verdadeiro ofertório é, do pouco que você tem, fazer muito a quem nada possui. Quantas vezes não vamos à igreja com dinheiro nos bolsos, para dízimos, ofertas alçadas e outros donativos. Contudo, não investimos um real em que está nu nas ruas, sentindo frio. "[…] estando nu, e não me vestistes […]" (Mateus 25:43).

3. A verdadeira saudação é cumprimentar os desafortunados, dando-lhes o que calçar, curvando nossa arrogância à simplicidade daqueles que, por razões sociais, vagueiam pela classe baixa da sociedade. É recolher o necessitado em sua casa, o peregrino, no seu lar. Ser hospitaleiro é o melhor "boas-vindas" que você pode dar! "[…] era estrangeiro, e hospedastes-me" (Mateus 25:35).

4. Evangelismo de impacto é socorrer os carentes, aliando a fé às obras. Pregue sobre o pecado, a salvação e a justiça de Deus. Mas também alimente os famintos, sare os enfermos e vista os nus. "E disse Jesus: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura", "[…] porão as mãos nos enfermos e os curarão" (Marcos 16:15,18).

5. Vigília de oração é sair de madrugada pelas ruas desertas da cidade, exceto pelos mendigos que tentam dormir no chão frio e sólido, cobertos por pedaços de papelão ou tendo as estrelas como manto. Ofereça-lhes um local confortável para descansar, um alívio da vida sofrida e humilhante que levam há anos. "E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de alimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o sustento, que proveito virá daí?" (Tiago 2:15-16).

6. A verdadeira cobertura espiritual é aquecer o necessitado, abrigar-lhe em sua casa, dar-lhe carinho, atenção, saber ouvi-lo. Um sorriso ou um abraço muda o dia de qualquer pessoa. Imagine o impacto naqueles que nunca tiveram! No caminho de sua casa à igreja, não deixe de observar os que precisam. Que espírito é esse que faz você vê anjos na igreja, mas não faz enxergar o necessitado na rua? "Porque os pobres sempre tendes convosco […]" (João 12:8).

7. Construção de templos é erguer casas aos sem-terras, aos desabrigados. Estes compõem a família sagrada. A palavra "igreja" significa "comunidade composta por cristãos, que forma um corpo social organizado, instituído por Jesus Cristo". Não há necessidade de uma igreja/templo luxuosa, apenas para ostentar. Faça moradias a quem não tem. Deus está onde seu povo estar. "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20).

8. Ministério de louvor não exige profissionalismo, mas simplicidade. Você não precisa ganhar dinheiro, ter a música do ano ou possuir um voz exuberante. Em espírito e em verdade, ecoe cânticos fieis ao Senhor nosso Deus, exalte sua beleza e seu poder entre as nações! Abra sua boca e adore! "Tudo que tem fôlego de vida louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR" (Salmo 150:6).

9. A verdadeira imposição de mãos é estendê-las, não para julgar, mas para levantar o caído. Muitas vezes tropeçamos no amor, no trabalho e principalmente na fé. Nesse momento, seja um cristão verdadeiro e erga seu amigo do chão ou das trevas espirituais. "Porque, se um cair, o outro levanta; mas ai do que estiver só! Pois, caindo, não haverá outro que o levante" (Eclesiastes 4:10).

A obra de Cristo é também uma obra social, que visa soerguer os que estão no rés-do-chão, tanto do prisma natural quando da óptica espiritual. Estamos travestindo uma falsa fé, destituída de boas ações. Nossas pregações não convertem mais os pecadores porque nosso testemunho é incompatível com o que falamos. Não damos o amor que exaltamos e não cumprimos os mandamentos do Senhor. Se você não faz o que o Mestre fez, posso chamá-lo de tudo, menos de cristão. "Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver" (1 Pedro 1:15).

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Pangeia



    "E disse Deus: Ajuntem-se as águas dos céus num lugar; e apareceu a porção seca; e assim foi." - Gênesis 1:9
     No primeiro capítulo das Escrituras, temos o relato da criação da Terra. Ocultos por uma linguagem simples, importantes dados do passado do nosso planeta passam desapercebidos por leitores atentos. É inegável a semelhança de algumas passagens com o que a ciência sabe. O versículo nove do primeiro capítulo, por exemplo, conta-nos que Deus reuniu toda a água terrestre em um único ponto e expôs, assim, uma massa seca. Seria verdade? Vejamos o que a Geologia diz sobre a Pangeia:
    "Há aproximadamente 200 milhões de anos, os continentes não tinham a configuração atual, pois existia somente uma massa continental, ou seja, não estavam separados as Américas da África e da Oceania. Essa massa continental contínua foi denominada 'Pangeia' (do grego 'toda a Terra'), e era envolvida por um único oceano, chamado 'Pantalassa'".
     Então, coincidência ou inspiração divina?

Dez virgens loucas


Que tipo de Evangelho
Nós estamos a pregar?
É aquele que nos muda
E que faz a gente chorar?
O que mostramos por aí?
Qual é nossa conduta?
Não existe a vitória
Sem primeiro vir a luta.

Falamos muito de amor,
Mas pouco sabemos amar.
Não diga: "Jesus é bom",
Se sua vida não mostrar
Que tudo o que você fala
Você segue com atenção;
Da boca sempre sai
O que está cheio o coração.

Mas tem gente que quer servir
E agradar dois senhores:
Um é Senhor que liberta,
O outro é senhor de penhores.
O primeiro traz nossa paz
E restaura o coração;
O segundo dar-lhe hoje,
Depois toma da sua mão.

Ó crente, fique atento!
As horas já são bem poucas;
Vejo as virgens sentadas,
E todas as dez são loucas.
O seu azeite finda
E o noivo vai chegar;
Eram cinco as tais tolas
E as prudentes foram deitar.

Assim a fé esfria,
Aumenta-se mais a treta;
O Senhor Jesus voltará
Ao tocar sua trombeta.
O mundo em desatino,
A gente não se acalma;
Hoje a morte lhe visita:
O que será da sua alma?

O templo de Deus (parte 1)

                  



                     Caros irmãos, o presente estudo não visa fazê-los evadir das igrejas/templos que vocês frequentam. O que tão-somente anelo, em suma, é que percebam a lídima vontade de nosso Deus. Quero fazê-los notar que o Senhor não possui locais específicos e sacros, erigidos por lhanos Homo sapiens, mas que, pela Sua onipresença e por ter deliberado um templo especial para Si, onde pode ser adorado pelos verdadeiros adoradores, em espírito e em verdade. Todavia, se minhas assertivas abalarem sua fé e causarem sua saída das instituições, eu não fico preocupado. Creio que o Espírito Santo colocará em sua mente o real sentido do que será lido nas próximas linhas.
                  Dito o escopo do presente artigo, vejamos a primeira menção a uma igreja/templo nas Escrituras Sagradas:

“Sucedeu que, habitando o rei Davi em sua própria casa, tendo-lhe o Senhor dado descanso de todos os seus inimigos em redor, disse o rei ao profeta Natã: Eu moro em casa de cedros, e a arca de Deus se acha numa tenda. Disse Natã ao rei: Vai, faze tudo quanto está no teu coração, porque o Senhor é contigo.” – II Samuel 7:1-3.

                O rei Davi, que governou Israel, percebeu algo pouco equânime em seu reinado: ele morava em um palácio suntuoso e a arca de Deus, que representava a presença do Senhor neste mundo, era guardada dentro de uma tenda, diminuta e nada airosa. Portanto, arrolou para si a missão de edificar uma casa ao SENHOR, e contou seu plano ao profeta Natã. Deus agradou-se da ideia, porém asseriu que Salomão, e não seu pai Davi, ergueria o templo em seu pleito. Realmente, o templo foi erguido. Para ele foi transferido todo o ritual mosaico de adoração a Deus, as tábuas dos mandamentos e outros itens adquiridos no êxodo do Egito a Canaã. Uma extensa lista de utensílios, roupas e cerimônias foi prescrita na construção do templo, bem como normas sobre quem poderia adentrar nele e praticar os sacrifícios. A partir desse momento, a adoração foi limitada a um lugar físico.
            Por algum tempo, o povo Israel serviu ao SENHOR de modo fidedigno, cumprindo as estipulações da Lei – faziam os sacrifícios pelos pecados, de acordo com a gravidade de cada um, depositavam o dízimo de tudo que a lavoura produzia na Casa do Tesouro e os levitas cuidavam com esmero da assepsia do local. Mas a idolatria e a prostituição – adultério e fornicação – sempre foram estigmas dos israelitas. Deus, a fim de corrigi-los dos seus maus caminhos, levou-os ao cativeiro da Babilônia, e o templo de Jerusalém foi demolido. Alguns profetas, como Jeremias e Joel, foram selecionados pelo SENHOR para anunciar um segundo templo melhor que o primeiro.
            Setenta anos depois o povo de Deus – uma parte apenas – regressou a Israel e tentaram reerguer o templo. Neemias e Esdras trabalham com afinco nesse propósito. Aqui, interrompo a descrição dos fatos e peço mais atenção na leitura. Neste ponto, quero que entendam o seguinte: a destruição moral do povo era maior que a do templo. A idolatria e a prostituição, tanto cultual quanto social, eram condenadas por Deus. Por mais que o SENHOR os advertisse, Israel voltava a repetir os mesmos erros e era castigada, afinal, no Antigo Testamento, obediência era recompensada com bênçãos e transgressões com maldições. Quando voltaram do cativeiro, as experiências negativas fê-los retornar a cultuar ao SENHOR, não obstante, não tinha mais o mesmo arroubo.
            O declínio espiritual mostrava a apatia da fé dos israelitas. As tarefas da igreja/templo não eram mais feitas por amor, temor e tremor pelo Altíssimo, apenas por praxe, era uma tradição judaica que não poderia ser rompida. Deus não queria que fosse assim e enviou seu penúltimo profeta, Malaquias, a fim de reconduzir o povo à verdadeira adoração ao SENHOR. O resultado da pregação foi uma mudança significativa na conduta dos sacerdotes, porém, nesse ponto, alguns séculos depois, novamente vê-se a corrupção adentrando a Casa de Deus.
            Alexandre, o Grande, dominou a Pérsia, em 332 AEC, e, depois de sua morte, seu império foi dividido e dois grandes generais assumiram o poder. Ptolomeus, um egípcio-helênico, comandou a Judeia e trouxe à nação os escritos gnósticos, introduzindo na cultura elementos do zoroastrismo, platonismo e gnosticismo. O misticismo teve crescimento nessa época também. O judaísmo mudava aos poucos com o contato com os gregos. No comércio, o idioma grego era praticamente utilizado totalmente, e em todo o Mediterrâneo oriental fazia-se o mesmo.
            Uma gama de judeus não aprovava a dominação helênica. Teve origem daí a revolta dos Macabeus, de onde surgiram três grupos religiosos: os saduceus, os essênios e os fariseus. Destes, destaco os fariseus. Eram escribas e sábios, pessoas responsáveis pela Lei e pelos conselhos do país. Eles acrescentaram mandamentos humanos ao que Moisés escreveu, obrigaram a população a uma tirania religiosa e adoraram a Deus superficialmente. Segundo os Evangelhos, os fariseus atavam fardos pesados ao povo, sem, contudo, praticá-los no afã de ser exemplo. Sua espiritualidade era púnica, queriam apenas exibir um temor írrito ao SENHOR. Cristo comparou-os com jazigos bem ataviados – por fora são passíveis de olhar, mas por dentro são lúgubres e pútridos. Além disso, o partido farisaico não praticava a misericórdia, o amor e o perdão. Transformaram a vontade de Deus em um ritual vazio, repleto de regras, que valorizava o preconceito e a posição social. A parábola do bom samaritano ilustra bem.
            Foi então a decadência do templo. Sim, era debalde ir lá. Cambistas vendiam suas mercadorias na porta do templo e o zelo dos fariseus era meramente na esperança de não perder as benesses do serviço ministerial. Gostavam de ocupar as primeiras cadeiras nas reuniões, oravam em voz alta nas esquinas esperando exaltação humana e subjugavam o povo com uma doutrina rígida. Não é à toa que Jesus entrou no templo e derrubou as mesas dos que vendiam. Fizeram da Casa de Oração um covil de ladrões.
            Essa era a missão de Cristo: derrubar o templo e reedificá-lo em três dias. Os discípulos e os fariseus, a princípio, não compreenderam o significado das palavras de Cristo. Supunham que a obra humana que levara anos não poderia, por um único homem, ser ruída e edificada em um tríduo. Porém, o Senhor se referia a um templo que não tinha sido criado por seres humanos, mas pelo próprio Deus. O verdadeiro local de habitação do Altíssimo, em que a corrupção e prostituição não teriam vez. Um lugar que Cristo inauguraria.
            Os judeus e os samaritanos, rivais desde a separação de Israel em dois reinos, discordavam sobre o local de cultuar a Deus. Na opinião judaica, era em Jerusalém o lugar de adorar ao SENHOR. O judeu contemporâneo do Pastor Jesus orava de olhos abertos, as mãos erguidas para a abóbada celeste e em voz alta, voltado para o Templo de Salomão. No prisma samaritano, entretanto, a verdadeira adoração ao SENHOR dos Exércitos era nos montes, onde estariam mais reservados, posto que os judeus não aceitassem que o povo de Samaria prestasse culto a Deus dentro de Jerusalém. Jesus, a fim de elucidar a questiúncula existente, asseverou que “nem nos montes nem em Jerusalém Deus seria adorado, mas os verdadeiros adoradores cultuariam ao SENHOR em espírito e em verdade”. Você entende isto?
            Primeiro, devemos entender o que a igreja/templo representava.

            No templo ocorriam cerimônias espirituais de Israel. A presença de Deus estava lá dentro. Para ter contato com o SENHOR e prestar-lhe culto, era necessário ir ao Templo de Salomão e fazer sacrifícios agradáveis. Aquela construção era o símbolo da religião judaica. Todavia, Deus tinha um propósito de expandir sua Igreja até os confins da Terra e se fazer presente na vida dos Seus filhos em todo o tempo. O SENHOR iria cumprir as promessas que os antigos profetas apregoaram. Jesus, no sacrifício da cruz, anulou totalmente a Velha Aliança. Com seu sangue, promulgou uma nova era na vida espiritual daquele povo.