Caros irmãos, o presente estudo não visa fazê-los evadir das igrejas/templos que vocês frequentam. O que tão-somente anelo, em suma, é que percebam a lídima vontade de nosso Deus. Quero fazê-los notar que o Senhor não possui locais específicos e sacros, erigidos por lhanos Homo sapiens, mas que, pela Sua onipresença e por ter deliberado um templo especial para Si, onde pode ser adorado pelos verdadeiros adoradores, em espírito e em verdade. Todavia, se minhas assertivas abalarem sua fé e causarem sua saída das instituições, eu não fico preocupado. Creio que o Espírito Santo colocará em sua mente o real sentido do que será lido nas próximas linhas.
Dito o escopo do presente artigo,
vejamos a primeira menção a uma igreja/templo nas Escrituras Sagradas:
“Sucedeu que, habitando o rei Davi em sua
própria casa, tendo-lhe o Senhor
dado descanso de todos os seus inimigos em redor, disse o rei ao profeta Natã:
Eu moro em casa de cedros, e a arca de Deus se acha numa tenda. Disse Natã ao
rei: Vai, faze tudo quanto está no teu coração, porque o Senhor é contigo.” – II Samuel 7:1-3.
O rei Davi, que governou Israel,
percebeu algo pouco equânime em seu reinado: ele morava em um palácio suntuoso
e a arca de Deus, que representava a presença do Senhor neste mundo, era guardada dentro de uma tenda,
diminuta e nada airosa. Portanto, arrolou para si a missão de edificar uma casa
ao SENHOR, e contou seu plano ao profeta Natã. Deus agradou-se da ideia, porém
asseriu que Salomão, e não seu pai Davi, ergueria o templo em seu pleito.
Realmente, o templo foi erguido. Para ele foi transferido todo o ritual mosaico
de adoração a Deus, as tábuas dos mandamentos e outros itens adquiridos no
êxodo do Egito a Canaã. Uma extensa lista de utensílios, roupas e cerimônias
foi prescrita na construção do templo, bem como normas sobre quem poderia
adentrar nele e praticar os sacrifícios. A partir desse momento, a adoração foi
limitada a um lugar físico.
Por algum tempo, o povo Israel
serviu ao SENHOR de modo fidedigno, cumprindo as estipulações da Lei – faziam
os sacrifícios pelos pecados, de acordo com a gravidade de cada um, depositavam
o dízimo de tudo que a lavoura produzia na Casa do Tesouro e os levitas
cuidavam com esmero da assepsia do local. Mas a idolatria e a prostituição –
adultério e fornicação – sempre foram estigmas dos israelitas. Deus, a fim de corrigi-los
dos seus maus caminhos, levou-os ao cativeiro da Babilônia, e o templo de
Jerusalém foi demolido. Alguns profetas, como Jeremias e Joel, foram
selecionados pelo SENHOR para anunciar um segundo templo melhor que o primeiro.
Setenta anos depois o povo de Deus –
uma parte apenas – regressou a Israel e tentaram reerguer o templo. Neemias e
Esdras trabalham com afinco nesse propósito. Aqui, interrompo a descrição dos
fatos e peço mais atenção na leitura. Neste ponto, quero que entendam o
seguinte: a destruição moral do povo era maior que a do templo. A idolatria e a
prostituição, tanto cultual quanto social, eram condenadas por Deus. Por mais
que o SENHOR os advertisse, Israel voltava a repetir os mesmos erros e era castigada,
afinal, no Antigo Testamento, obediência era recompensada com bênçãos e transgressões
com maldições. Quando voltaram do cativeiro, as experiências negativas fê-los
retornar a cultuar ao SENHOR, não obstante, não tinha mais o mesmo arroubo.
O declínio espiritual mostrava a
apatia da fé dos israelitas. As tarefas da igreja/templo não eram mais feitas
por amor, temor e tremor pelo Altíssimo, apenas por praxe, era uma tradição
judaica que não poderia ser rompida. Deus não queria que fosse assim e enviou
seu penúltimo profeta, Malaquias, a fim de reconduzir o povo à verdadeira
adoração ao SENHOR. O resultado da pregação foi uma mudança significativa na
conduta dos sacerdotes, porém, nesse ponto, alguns séculos depois, novamente
vê-se a corrupção adentrando a Casa de Deus.
Alexandre, o Grande, dominou a
Pérsia, em 332 AEC, e, depois de sua morte, seu império foi dividido e dois
grandes generais assumiram o poder. Ptolomeus, um egípcio-helênico, comandou a
Judeia e trouxe à nação os escritos gnósticos, introduzindo na cultura
elementos do zoroastrismo, platonismo e gnosticismo. O misticismo teve
crescimento nessa época também. O judaísmo mudava aos poucos com o contato com
os gregos. No comércio, o idioma grego era praticamente utilizado totalmente, e
em todo o Mediterrâneo oriental fazia-se o mesmo.
Uma gama de judeus não aprovava a
dominação helênica. Teve origem daí a revolta dos Macabeus, de onde surgiram
três grupos religiosos: os saduceus, os essênios e os fariseus. Destes, destaco
os fariseus. Eram escribas e sábios, pessoas responsáveis pela Lei e pelos
conselhos do país. Eles acrescentaram mandamentos humanos ao que Moisés
escreveu, obrigaram a população a uma tirania religiosa e adoraram a Deus superficialmente.
Segundo os Evangelhos, os fariseus atavam fardos pesados ao povo, sem, contudo,
praticá-los no afã de ser exemplo. Sua espiritualidade era púnica, queriam
apenas exibir um temor írrito ao SENHOR. Cristo comparou-os com jazigos bem
ataviados – por fora são passíveis de olhar, mas por dentro são lúgubres e
pútridos. Além disso, o partido farisaico não praticava a misericórdia, o amor
e o perdão. Transformaram a vontade de Deus em um ritual vazio, repleto de
regras, que valorizava o preconceito e a posição social. A parábola do bom
samaritano ilustra bem.
Foi então a decadência do templo.
Sim, era debalde ir lá. Cambistas vendiam suas mercadorias na porta do templo e
o zelo dos fariseus era meramente na esperança de não perder as benesses do
serviço ministerial. Gostavam de ocupar as primeiras cadeiras nas reuniões,
oravam em voz alta nas esquinas esperando exaltação humana e subjugavam o povo
com uma doutrina rígida. Não é à toa que Jesus entrou no templo e derrubou as
mesas dos que vendiam. Fizeram da Casa de Oração um covil de ladrões.
Essa era a missão de Cristo: derrubar
o templo e reedificá-lo em três dias. Os discípulos e os fariseus, a princípio,
não compreenderam o significado das palavras de Cristo. Supunham que a obra
humana que levara anos não poderia, por um único homem, ser ruída e edificada
em um tríduo. Porém, o Senhor se referia a um templo que não tinha sido criado
por seres humanos, mas pelo próprio Deus. O verdadeiro local de habitação do
Altíssimo, em que a corrupção e prostituição não teriam vez. Um lugar que
Cristo inauguraria.
Os judeus e os samaritanos, rivais
desde a separação de Israel em dois reinos, discordavam sobre o local de
cultuar a Deus. Na opinião judaica, era em Jerusalém o lugar de adorar ao
SENHOR. O judeu contemporâneo do Pastor Jesus orava de olhos abertos, as mãos
erguidas para a abóbada celeste e em voz alta, voltado para o Templo de
Salomão. No prisma samaritano, entretanto, a verdadeira adoração ao SENHOR dos
Exércitos era nos montes, onde estariam mais reservados, posto que os judeus
não aceitassem que o povo de Samaria prestasse culto a Deus dentro de
Jerusalém. Jesus, a fim de elucidar a questiúncula existente, asseverou que
“nem nos montes nem em Jerusalém Deus seria adorado, mas os verdadeiros
adoradores cultuariam ao SENHOR em espírito e em verdade”. Você entende isto?
Primeiro, devemos entender o que a
igreja/templo representava.
No templo ocorriam cerimônias
espirituais de Israel. A presença de Deus estava lá dentro. Para ter contato
com o SENHOR e prestar-lhe culto, era necessário ir ao Templo de Salomão e
fazer sacrifícios agradáveis. Aquela construção era o símbolo da religião
judaica. Todavia, Deus tinha um propósito de expandir sua Igreja até os confins
da Terra e se fazer presente na vida dos Seus filhos em todo o tempo. O SENHOR
iria cumprir as promessas que os antigos profetas apregoaram. Jesus, no
sacrifício da cruz, anulou totalmente a Velha Aliança. Com seu sangue,
promulgou uma nova era na vida espiritual daquele povo.

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