domingo, 21 de fevereiro de 2016

O templo de Deus (parte 1)

                  



                     Caros irmãos, o presente estudo não visa fazê-los evadir das igrejas/templos que vocês frequentam. O que tão-somente anelo, em suma, é que percebam a lídima vontade de nosso Deus. Quero fazê-los notar que o Senhor não possui locais específicos e sacros, erigidos por lhanos Homo sapiens, mas que, pela Sua onipresença e por ter deliberado um templo especial para Si, onde pode ser adorado pelos verdadeiros adoradores, em espírito e em verdade. Todavia, se minhas assertivas abalarem sua fé e causarem sua saída das instituições, eu não fico preocupado. Creio que o Espírito Santo colocará em sua mente o real sentido do que será lido nas próximas linhas.
                  Dito o escopo do presente artigo, vejamos a primeira menção a uma igreja/templo nas Escrituras Sagradas:

“Sucedeu que, habitando o rei Davi em sua própria casa, tendo-lhe o Senhor dado descanso de todos os seus inimigos em redor, disse o rei ao profeta Natã: Eu moro em casa de cedros, e a arca de Deus se acha numa tenda. Disse Natã ao rei: Vai, faze tudo quanto está no teu coração, porque o Senhor é contigo.” – II Samuel 7:1-3.

                O rei Davi, que governou Israel, percebeu algo pouco equânime em seu reinado: ele morava em um palácio suntuoso e a arca de Deus, que representava a presença do Senhor neste mundo, era guardada dentro de uma tenda, diminuta e nada airosa. Portanto, arrolou para si a missão de edificar uma casa ao SENHOR, e contou seu plano ao profeta Natã. Deus agradou-se da ideia, porém asseriu que Salomão, e não seu pai Davi, ergueria o templo em seu pleito. Realmente, o templo foi erguido. Para ele foi transferido todo o ritual mosaico de adoração a Deus, as tábuas dos mandamentos e outros itens adquiridos no êxodo do Egito a Canaã. Uma extensa lista de utensílios, roupas e cerimônias foi prescrita na construção do templo, bem como normas sobre quem poderia adentrar nele e praticar os sacrifícios. A partir desse momento, a adoração foi limitada a um lugar físico.
            Por algum tempo, o povo Israel serviu ao SENHOR de modo fidedigno, cumprindo as estipulações da Lei – faziam os sacrifícios pelos pecados, de acordo com a gravidade de cada um, depositavam o dízimo de tudo que a lavoura produzia na Casa do Tesouro e os levitas cuidavam com esmero da assepsia do local. Mas a idolatria e a prostituição – adultério e fornicação – sempre foram estigmas dos israelitas. Deus, a fim de corrigi-los dos seus maus caminhos, levou-os ao cativeiro da Babilônia, e o templo de Jerusalém foi demolido. Alguns profetas, como Jeremias e Joel, foram selecionados pelo SENHOR para anunciar um segundo templo melhor que o primeiro.
            Setenta anos depois o povo de Deus – uma parte apenas – regressou a Israel e tentaram reerguer o templo. Neemias e Esdras trabalham com afinco nesse propósito. Aqui, interrompo a descrição dos fatos e peço mais atenção na leitura. Neste ponto, quero que entendam o seguinte: a destruição moral do povo era maior que a do templo. A idolatria e a prostituição, tanto cultual quanto social, eram condenadas por Deus. Por mais que o SENHOR os advertisse, Israel voltava a repetir os mesmos erros e era castigada, afinal, no Antigo Testamento, obediência era recompensada com bênçãos e transgressões com maldições. Quando voltaram do cativeiro, as experiências negativas fê-los retornar a cultuar ao SENHOR, não obstante, não tinha mais o mesmo arroubo.
            O declínio espiritual mostrava a apatia da fé dos israelitas. As tarefas da igreja/templo não eram mais feitas por amor, temor e tremor pelo Altíssimo, apenas por praxe, era uma tradição judaica que não poderia ser rompida. Deus não queria que fosse assim e enviou seu penúltimo profeta, Malaquias, a fim de reconduzir o povo à verdadeira adoração ao SENHOR. O resultado da pregação foi uma mudança significativa na conduta dos sacerdotes, porém, nesse ponto, alguns séculos depois, novamente vê-se a corrupção adentrando a Casa de Deus.
            Alexandre, o Grande, dominou a Pérsia, em 332 AEC, e, depois de sua morte, seu império foi dividido e dois grandes generais assumiram o poder. Ptolomeus, um egípcio-helênico, comandou a Judeia e trouxe à nação os escritos gnósticos, introduzindo na cultura elementos do zoroastrismo, platonismo e gnosticismo. O misticismo teve crescimento nessa época também. O judaísmo mudava aos poucos com o contato com os gregos. No comércio, o idioma grego era praticamente utilizado totalmente, e em todo o Mediterrâneo oriental fazia-se o mesmo.
            Uma gama de judeus não aprovava a dominação helênica. Teve origem daí a revolta dos Macabeus, de onde surgiram três grupos religiosos: os saduceus, os essênios e os fariseus. Destes, destaco os fariseus. Eram escribas e sábios, pessoas responsáveis pela Lei e pelos conselhos do país. Eles acrescentaram mandamentos humanos ao que Moisés escreveu, obrigaram a população a uma tirania religiosa e adoraram a Deus superficialmente. Segundo os Evangelhos, os fariseus atavam fardos pesados ao povo, sem, contudo, praticá-los no afã de ser exemplo. Sua espiritualidade era púnica, queriam apenas exibir um temor írrito ao SENHOR. Cristo comparou-os com jazigos bem ataviados – por fora são passíveis de olhar, mas por dentro são lúgubres e pútridos. Além disso, o partido farisaico não praticava a misericórdia, o amor e o perdão. Transformaram a vontade de Deus em um ritual vazio, repleto de regras, que valorizava o preconceito e a posição social. A parábola do bom samaritano ilustra bem.
            Foi então a decadência do templo. Sim, era debalde ir lá. Cambistas vendiam suas mercadorias na porta do templo e o zelo dos fariseus era meramente na esperança de não perder as benesses do serviço ministerial. Gostavam de ocupar as primeiras cadeiras nas reuniões, oravam em voz alta nas esquinas esperando exaltação humana e subjugavam o povo com uma doutrina rígida. Não é à toa que Jesus entrou no templo e derrubou as mesas dos que vendiam. Fizeram da Casa de Oração um covil de ladrões.
            Essa era a missão de Cristo: derrubar o templo e reedificá-lo em três dias. Os discípulos e os fariseus, a princípio, não compreenderam o significado das palavras de Cristo. Supunham que a obra humana que levara anos não poderia, por um único homem, ser ruída e edificada em um tríduo. Porém, o Senhor se referia a um templo que não tinha sido criado por seres humanos, mas pelo próprio Deus. O verdadeiro local de habitação do Altíssimo, em que a corrupção e prostituição não teriam vez. Um lugar que Cristo inauguraria.
            Os judeus e os samaritanos, rivais desde a separação de Israel em dois reinos, discordavam sobre o local de cultuar a Deus. Na opinião judaica, era em Jerusalém o lugar de adorar ao SENHOR. O judeu contemporâneo do Pastor Jesus orava de olhos abertos, as mãos erguidas para a abóbada celeste e em voz alta, voltado para o Templo de Salomão. No prisma samaritano, entretanto, a verdadeira adoração ao SENHOR dos Exércitos era nos montes, onde estariam mais reservados, posto que os judeus não aceitassem que o povo de Samaria prestasse culto a Deus dentro de Jerusalém. Jesus, a fim de elucidar a questiúncula existente, asseverou que “nem nos montes nem em Jerusalém Deus seria adorado, mas os verdadeiros adoradores cultuariam ao SENHOR em espírito e em verdade”. Você entende isto?
            Primeiro, devemos entender o que a igreja/templo representava.

            No templo ocorriam cerimônias espirituais de Israel. A presença de Deus estava lá dentro. Para ter contato com o SENHOR e prestar-lhe culto, era necessário ir ao Templo de Salomão e fazer sacrifícios agradáveis. Aquela construção era o símbolo da religião judaica. Todavia, Deus tinha um propósito de expandir sua Igreja até os confins da Terra e se fazer presente na vida dos Seus filhos em todo o tempo. O SENHOR iria cumprir as promessas que os antigos profetas apregoaram. Jesus, no sacrifício da cruz, anulou totalmente a Velha Aliança. Com seu sangue, promulgou uma nova era na vida espiritual daquele povo. 

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