domingo, 13 de março de 2016

A unção no Novo Testamento

         
           Basta entrar numa igreja pentecostal ou neopentecostal e você verá uma ênfase exacerbada em “unção” disto ou daquilo. Isso ocorre, provavelmente, em virtude de a maioria não saber o que significa unção. Esses segmentos evangélicos consideram a unção uma espécie de superpoder que confere ao indivíduo capacidades esdrúxulas – uns começam a rir feitos loucos e outros imitam animais. Contudo, à luz das Escrituras Sagradas, unção não é, e nunca foi, uma capacitação sobrenatural. Vejamos o que o Velho Testamento nos ensina sobre o tema.
            O povo de Israel percebeu que os países vizinhos tinham reis que o governavam e desejaram ter um. Pediram a ajuda do profeta Samuel e este comunicou a reivindicação do povo a Deus. O SENHOR explicou todos os reveses de Israel ter um rei humano, mas atendeu a petição dos judeus (I Samuel 8). O primeiro rei ungido foi Saul (I Samuel 10:1). Samuel derramou-lhe azeite e o consagrou rei do país. O mesmo sucedeu a Davi, sucessor de Saul (I Samuel 16:1). Em ambos os casos, que podemos usar de exemplos, a unção não conferiu poderes aos escolhidos. Aliás, “ungido” significa “escolhido”, nada mais. Não é um poder soprado pelo Espírito Santo quando um pastor ou pregador faz uma oração barulhenta ou em “línguas desconhecidas” (glossolalia religiosa). Tratava-se de um ritual simbólico, que representava a escolha de Deus (Êxodo 30:22-33). Mesmo assim, receber a unção do profeta não impediu que os dois reis citados cometessem pecados fatais – Saul consultou uma feiticeira na cidade de En-Dor (I Samuel 28:3-7) e Davi adulterou com a mulher de Urias, depois de matá-lo (II Samuel 11:2-26).
            E todos os outros ungidos seguem a mesma lógica. Apenas raras pessoas recebiam a unção de Deus. Naquela época, o povo vivia um governo teocrático. E o Novo Testamento? O que este nos fala?
            Como dito acima, a unção na Antiga Aliança era restrita a um pequeno número de pessoas (os reis de Israel). Todavia, o projeto de Deus, em toda a história, foi eleger para si um povo santo, sacerdócio real (I Pedro 2:9). Criar uma estirpe de pessoas escolhidas para si ou, nos termos bíblicos, uma casta de ungidos. Entretanto, para realizar seu projeto, Deus enviou um sumo-sacerdote, perfeito e eterno, a saber, Jesus Cristo (Hebreus 7). Ele veio ao mundo, anunciou as palavras de seu Pai e, pela sua obediência, tornou-se sacerdote de muitos. Nele, todos nós fomos batizados e estamos revestidos (Gálatas 3:26-27), ou seja, a partir do momento em que ouvimos e cremos na Palavra de Deus, nos tornamos um com o Ungido do SENHOR (a palavra “Cristo” significa “o ungido” ou “o escolhido”). Esta unção que Deus nos dá em seu Filho é a verdade e não há necessidade que alguém nos ensine; o Espírito Santo o faz (I João 2:27).
            É isto, pois. “Unção” é “escolha” – a escolha de Deus. Na Nova Aliança em que nós vivemos todos os que estão em Cristo Jesus são ungidos. Não temos superpoderes ou outra qualidade especial. Somos apenas os escolhidos entre muitos chamados (Mateus 22:14) – e nada mais precisamos.

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